Em 16 de julho de 2026, 29 países assinaram em Xangai o acordo de fundação. Criaram a Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial. A sigla é WAICO. O Brasil está na lista de signatários. A informação vem de nota conjunta de três ministérios. São eles: Relações Exteriores, MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e Gestão e Inovação. A nota foi publicada no gov.br. A organização tem sede permanente em Xangai. Nasceu de mesa proposta pela China em julho de 2025. Foi na Conferência Mundial de IA.
A promessa declarada da organização é a cooperação multilateral em IA. Haveria espaço maior para as vozes do Sul Global. Esse grupo reúne os países que consomem a tecnologia. Mas eles decidem pouco sobre como ela funciona. O contraponto é explícito. Hoje, as grandes potências de modelos fechados concentram o poder. Elas definem como os sistemas de IA são treinados, distribuídos e regulados.
Por que o código aberto está no centro dessa disputa? Pesos de modelo abertos podem ser baixados. Os pesos de modelo são os arquivos internos que definem o funcionamento da IA. Eles podem ser rodados e ajustados. Isso vale para qualquer governo, universidade, organização ou empresa. Acontece dentro do próprio país. Não depende do aval de serviço estrangeiro. A China construiu sua presença global nessa rota. Os modelos abertos que lideram os repositórios públicos são de laboratórios chineses. Publicar os pesos completos virou ferramenta de diplomacia técnica.
Para o cidadão, modelos abertos são segurança dupla. Eles podem ser auditados por terceiros. Isso faz diferença quando a decisão automatizada atinge sua vida. Também podem rodar em servidor próprio. Se o modelo roda na máquina de terceiros, manda o dono do servidor. Se roda no servidor público ou da universidade, manda a regra pública.
Do lado brasileiro, o governo anunciou nova etapa da estratégia digital. Foi em 20 de agosto de 2026. O pacote inclui a compra de um supercomputador dedicado à IA. A compra será por edital competitivo. O investimento estimado é de cerca de R$ 1 bilhão. O equipamento ficará no Rio Grande do Norte. Ele amplia a capacidade de treinar e rodar modelos nacionais. O pacote também estrutura uma Nuvem Nacional de IA. Ela servirá a instituições públicas e à sociedade civil.
O edital da compra sai no Diário Oficial da União. A informação é da Agência Brasil. Os recursos vêm do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A implantação está a cargo do LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica). O LNCC fica em Petrópolis (RJ). Ele também cuidará da formação de profissionais. E da transferência de tecnologia. No conjunto, a supercomputação para IA recebe mais de R$ 2,3 bilhões.
O pacote não parte do zero. É novo capítulo do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O plano se chama 'IA para o Bem de Todos'. Foi publicado em 2024. Prevê até R$ 23 bilhões até 2028. O capítulo novo é explícito. Não basta ter modelo. É preciso computação para treinar. E capacidade nacional para treinar e auditar.
A ligação com a WAICO não é só diplomática. A maioria dos signatários vem do Sul Global. A agenda declarada inclui troca de modelos abertos. Também padrões de interoperabilidade e programas de formação. Para o Brasil, a aposta é treinar modelos em português. Usando dados públicos brasileiros. Também contribuir para repositórios abertos. E oferecer auditoria pública de modelos. Tudo depende de edital bem feito. Também de regra de governança e execução disciplinada. Aí a fiscalização cidadã faz diferença.
Para quem acompanha o portal, três coisas valem vigia. Primeira: como se decide na WAICO. Qual é a balança de poder entre os membros? As vozes menores terão vez? Segunda: os modelos adotados terão pesos abertos? Pesos abertos são auditáveis por qualquer pessoa. Pesos fechados só são inspecionados por quem fornece. Terceira: o que diz o edital do supercomputador? A infraestrutura será mesmo compartilhada com pesquisa pública e sociedade civil? E não só com as grandes empresas?
Os números desta matéria vêm dos documentos oficiais. Os links estão no fim da página. Onde a fonte não declara, não entram estimativas. Exemplo: quantos núcleos terão os chips do supercomputador? De qual fabricante? A resposta honesta é que ainda não sabemos. Mas aqui está o que existe perto.